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6 jun

Junho, mês do orgulho LGBTI

Junho é o mês do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas trans e intersex), data celebrada e lembrada mundialmente, que marca um episódio ocorrido em Nova Iorque.

Tudo começou lá nos Estados Unidos, em 1969, com as revoltas de Stonewall. Até a década de 1960, o país era muito rígido com a população LGBTI. Era considerado crime se relacionar com pessoas do mesmo sexo. Nesta época, um relacionamento LGBTI poderia levar à prisão e, algumas vezes, até à morte. A prática era considerada uma doença e, na tentativa de “curar” as pessoas, muitas medidas cruéis e desumanas foram adotadas, como por exemplo castração, choque elétrico e lobotomia (cirurgia onde parte do cérebro do paciente é retirada para estudo).

Assustados e revoltados com a situação, a comunidade LGBTI local de Nova York começou a se organizar para se proteger. Na época, poucos lugares aceitavam homossexuais, mas no bairro de Greenwich Village havia um bar que era um ponto de encontro para todos aqueles que se sentiam marginalizados pela sociedade: o Stonewall Inn.

O local recebia batidas policiais frequentes, deixando diversas pessoas feridas por conta da ação violenta e covarde dos policiais. Esse comportamento revoltou os frequentadores, que decidiram se unir para se proteger e evitar que os policiais ferissem amigos e parentes. Em 28 de junho de 1969, o grupo LGBTI se defendeu e os acontecimentos começaram a ser noticiados por grandes veículos, como o The New York Times e o New York Post.

Em 1970, um ano após os acontecimentos em Stonewall, a comunidade local se reuniu novamente para fazer passeatas pelas ruas e clamar por direitos. O evento reuniu cerca de 10 mil homossexuais. Desde então, junho é considerado o mês do Orgulho LGBTI por representar o levante do grupo contra a violência. Desta forma, a luta por dignidade, respeito e direito é lembrada todos os anos nesta data.

O levante contra a perseguição da polícia às pessoas LGBTI durou mais duas noites e, no ano seguinte, resultou na organização na 1° parada do orgulho LGBTI, realizada no dia 1° de julho de 1970, para lembrar o episódio. Hoje, as Paradas do Orgulho LGBTI acontecem em quase todos os países do mundo e em muitas cidades do Brasil ao longo do ano.

Infelizmente, a perseguição, discriminação e as violências contra pessoas por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero, não acabou. No relatório ”Making love a crime”, a Anistia Internacional mostra que em 38 países da África, a homossexualidade é criminalizada por lei, e ao longo da última década houve diversas tentativas de tornar estas leis ainda mais severas.

Ativistas pelos direitos LGBTI em Uganda ainda estão lutando contra a tentativa de aprovação da chamada “Lei Anti-Homossexualidade”, que propõe até mesmo a pena de morte para o crime de “homossexualidade agravada”, e que criminaliza qualquer um que não denuncie pessoas “envolvidas na homossexualidade”. Propostas similares foram aprovadas em países como o Sudão do Sul, Burundi, Nigéria, Libéria, Mauritânia e Somália nos últimos anos.

Stonewall repercutiu no Brasil?

Quando a revolta de Stonewall aconteceu, o Brasil passava por um dos piores momentos da ditadura militar. Menos de um ano antes, em dezembro de 1968, havia sido outorgado o Ato Institucional nº 5, que retirava uma série de liberdades civis, de direitos individuais e que fez aumentar a censura.

Naquele momento, Stonewall não fazia sentido nenhum para o Brasil, segundo Quinalha. “A ditadura acabou atrasando em dez anos a emergência do movimento LGBTI no Brasil”, fala. “Era um período de emergência de movimentos LGBTI em países latinos e o Brasil também poderia (fazer parte), porque tinha condições para que emergisse esses grupos, mas isso acaba não acontecendo por conta da repressão da ditadura.”

O autor e ativista diz que apenas em 1978 começa uma organização mais efetiva do movimento LGBTI no país, no período de liberalização da ditadura.

Do ponto de vista simbólico, no entanto, ele acredita que alguns episódios ocorridos no país possam ter uma espécie de vínculo com Stonewall. Por exemplo: quando no Dia do Trabalho de 1980 um grupo LGBTI se une à classe trabalhadora num ato do movimento sindical, que estava sob intervenção da ditadura, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP).

 

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